Há acontecimentos que parecem terminar no instante em que acontecem. Uma decisão é tomada, uma conversa acaba, uma pessoa entra em nossa vida, outra sai. Seguimos adiante acreditando que aquele episódio ficou para trás.
Mas quase nada fica realmente para trás.
Uma frase continua em quem a ouviu. Uma escolha leva a um encontro que produz outra escolha. Uma invenção transforma indústrias que sequer existiam quando ela surgiu. Um atraso de poucos minutos pode modificar os lugares onde estaremos e as pessoas que encontraremos.
É dessa imensa rede de causalidades que nasce Aquilo Deu Nisso.
Walter Longo investiga a teia das consequências: a maneira como acontecimentos, escolhas, erros, invenções e acasos continuam produzindo efeitos muito além de sua origem e de nossa capacidade de prevê-los.
O livro não defende que “tudo acontece por uma razão”. Sua ideia é mais inquietante: tudo aquilo que acontece encontra um mundo já em movimento e passa a participar do que acontecerá depois.
Somos responsáveis por nossas escolhas, mas não somos soberanos sobre suas consequências.
E já podemos ser, sem saber, uma das causas de coisas que ainda nem começaram a acontecer.